24 fevereiro 2009

Lillias Fraser


A propósito deste seu livro, Hélia Correia confessou, numa entrevista, que se tinha apaixonado mesmo pela protagonista, Lillias. De tal forma que a separação lhe pareceu penosa, quando acabou de escrever o romance.
O mesmo sentimos nós, leitores, ao deixarmos partir este ser algo insólito, com um olhar que perscruta a vida à procura da morte nos que com ele se cruzam.
A história desta menina que, ao mesmo tempo, atrai e assusta, cruza-se com alguns momentos da História do século XVIII: a batalha de Culloden, na Escócia, mas também o terramoto de 1755, em Lisboa.
É igualmente o relato de uma viagem que termina em Portugal, com passagem por Mafra e Setúbal, não sem uma alusão à Arrábida. Nesse percurso habitado por muitos seres, Hélia Correia fez Lillias cruzar-se com Blimunda Sete-Luas, personagem de uma outra história, Memorial do Convento, não sem ter pedido autorização a José Saramago...
Na entrevista já referida, a autora não considera Lillias Fraser um romance histórico, mas admite ter revisitado a História, através de livros, depois de uma viagem à Escócia. E foi assim que a pequena Lillias saiu do campo de Culloden para as páginas deste livro.
Lillias Fraser ganhou o Prémio D. Dinis 2002 (ex-aequo com Marcello Duarte Mathias) e o Prémio do Pen Club Português 2001, na categoria de romance.
Foi um dos livros seleccionados para a Fase Distrital do Concurso Nacional de Leitura (secundário).
Para além disso, é um livro que vale a pena ler.
AP

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