Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

23 junho 2009

Ser leitor é...


Reflexão a propósito de Tia Suzana, Meu Amor
de António Alçada Baptista
10ª edição: 2001
Editora: Editorial Presença

Ser leitor permite-nos conhecer mundos, possibilita-nos também (mas não só) o acesso a aventuras, pensamentos, às histórias das vidas de outros para que, eventualmente, possamos compreender melhor a nossa.
Enquanto leitores, habituámo-nos a confiar no que lemos, a deixar que o livro, objecto sagrado, faça parte daqueles seres que levaríamos para qualquer ilha deserta, de acordo com aqueles tão conhecidos questionários. E esse é um direito que quero preservar.
Ultimamente, a propósito do Concurso Nacional de Leitura, uma iniciativa do Plano Nacional de Leitura (PNL), em articulação com outros organismos, li Tia Suzana, Meu Amor, obra seleccionada para a 3ª fase, Ensino Secundário. Pretendia-se, com a escolha, homenagear o autor falecido em Dezembro de 2008. Uma boa intenção.
Como se pode ler na contracapa, é "um belo livro que conta a história de uma paixão lenta (que percorre todo o texto como uma melodia) de um jovem beirão pela sua tia."
É, acrescento eu, um relato feito de memórias e reflexões, escrito numa primeira pessoa com a qual facilmente estabelecemos cumplicidades.
A escrita é "sedutora", como esperávamos de Alçada Baptista, "feita de registos subtis" - continuo a citar o texto da contracapa.
Esta reflexão poderia terminar aqui, se não fosse a vontade que sinto de exercer o meu dever de leitora...
O autor não merecia que mãos e olhos displicentes tivessem maculado a sua escrita com a inclusão de quiz, descançaram (página 29); descanço, sossêgo (página 38); descançar, descançava (página 39); descanço (página 44); dispensa por despensa (página 73); mágua (página 83); mez (página 95).
Enquanto leitora, sabendo que imensos jovens liam o mesmo que eu, denunciei a situação. Fi-lo junto da editora, sem ter obtido qualquer resposta. O PNL justifica a escolha com o objectivo da homenagem.
Eu, leitora exigente e também professora de Português, continuo a considerar negativa a existência de livros com erros que não são para caçar... Privilegio leituras verdadeiramente descansadas e sei que os nossos autores - ainda que fisicamente ausentes, mas também por isso - merecem melhor.
AP

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