Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

25 novembro 2014

Falemos de coisas sérias...

Baixa Visão
Com o passar dos anos vamos perdendo capacidades que nos habituámos a ter como
companhia certa do quotidiano. Os sentidos e as competências sensoriais vão acompanhando
o embranquecer dos cabelos e tornando evidente que vamos ouvindo com maior dificuldade,
que perdemos alguma da sensibilidade e destreza motora e que a dificuldade em ver aumenta
de dia para dia.
Ler e, consequentemente, absorver a realidade que nos rodeia, torna-se uma tarefa cada
vez dificil que uma ajuda técnica centenária (os óculos e/ou uma lupa ou lente de aumentar)
podem ajudar a colmatar.
A ausência da visão, ainda que parcial e devida a diferentes fatores, torna-nos conscientes
da diferença e integra-nos, gradualmente, nesse mundo da deficiência e ou da incapacidade.
Passamos a apresentar limitações, de carácter permanente, ao nível da atividade e da
participação que, nalguns casos uma intervenção cirúrgica e/ou uma ajuda técnico, como já
referido anteriormente, podem resolver e/ou atenuar. Neste capítulo, as tecnologias da
informação e da comunicação (TIC) permitem, na atualidade, aumentar o nível de atividade e
de participação de todas as pessoas que apresentem problemas ao nível da Baixa Visão.
Computadores, telemóveis, tablets,..., integram um conjunto de ferramentas que facilitam a
acessibilidade no uso das tecnologias e no acesso à informação que são, hoje, um dos pilares
base da organização das sociedades. No caso dos cidadãos e cidadãs que apresentam
problemas ao nível da Visão a acessibilidade na utilização das TIC integra todos os sistemas
operativos que existem no mercado. Adicionalmente foram desenvolvidas, ou encontra-se em
fase de desenvolvimento, uma série de aplicações (apps) que procuram aumentar o nível de
acessibilidade ao fantástico mundo possibilitado pelas TIC.
Mas longe de ser um problema relacionado com o natural envelhecimento do ser humano, a
Baixa Visão, é uma problemática transversal a todas as idades e, por isso, passível de
interferir com o normal desenvolvimento da criança, dificultando a apreensão da realidade
nos diferentes contextos de vida e consequentemente dificultando o acesso normal à
aprendizagem.
O despiste precoce de possíveis dificuldades ao nível da Visão (e da Audição) ajudam a
solucionar a grande maioria dos problemas sensoriais e parte significativa dos problemas
apresentados ao nível da aprendizagem.
Para isso há que estar atento. Passando a redundância do tema há que olhar, mas mais
importante, há que ver. Esta é uma tarefa a que pais, educadores e professores devem
prestar o maior cuidado para que a intervenção se realize de forma adequada e
atempadamente.Posteriormente, a adequação de fatores como a iluminação dos espaços e dos objetos, o tamanho de letra e de imagem, registos multiformato (visual e áudio), posicionamento em
relação à fonte emissora de imagem, organização da sala e dos espaços de existência (como a
sala de aula e acessos),..., são soluções fáceis de adotar que exigem apenas vontade e
adaptibilidade por parte das redes sociais de (co)existência.
Tecnicamente, a Baixa Visão pode ser congénita (estar presente desde o nascimento) ou ser
adquirida em determinado período da vida, devido a lesão ou patologia. De acordo com dados
da Organização Mundial de Saúde (OMS) podemos dizer que um ser humano apresenta Baixa
Visão quando existe, após tratamento e/ou correção refrativa) uma acuidade visual inferior a
3/10 ou uma restrição do campo visual inferior a 10º (o campo de visão normal é de -------).1
Sendo a visão o sentido mais importante para a relação com o meio, compreendemos
facilmente que, uma limitação visual não detetada precocemente irá influenciar de forma
direta as inúmeras informações que o ambiente nos oferece e limitar a forma como
interfiramos com e nesse ambiente.
Uma criança que não consegue ver o brinquedo ou o livro que ficou fora do seu ângulo de
visão, que não dá pela entrada da mãe, do pai, ou do animal de estimação na sala onde se
encontra, fica limitada na interação com esse brinquedo e na aprendizagem que a sua
utilização poderia facultar. Perde capacidade de exploração do meio ambiente, de
adaptação, de antecipação,...
Neste muito que fica por dizer sobre esta problemática não podemos deixar de referir que a
par das ajudas técnicas já referidas existe um conjunto de estratégias simples de adotar
(como utilizar a luz, o contraste, o brilho, fitas de orientação,...) que podem marcar toda a
diferença na forma como as crianças, jovens e adultos que apresentam problemas de Baixa
Visão interagem, aprendem e vivem marcando o valor qualitativo com que o fazem.
No nosso concelho e cidade existe desde o ano letivo de 2013-2014 uma Escola de
Referência para o atendimento a alunos e alunas que apresentem problemas ao nível da Baixa
Visão e da Cegueira. Fica sediada na Escola Secundária Sebastião da Gama em Setúbal.2
Contudo as Unidades Especializadas de Apoio à Multideficiência e Surdocegueira Congénita,
como a Unidade do nosso Agrupamento de Escolas que fica sediada na Escola nº 9 de Setúbal,
do Casal das Figueiras, acompanham e apoiam alunos e alunas que, em comorbilidade,
apresentam problemas de Baixa Visão e que por isso necessitam de ajudas técnicas
específicas.
 1 in, A Criança com Baixa Visão – Um Guia para Pais; Equipa da Consulta de Baixa Visão do Hospital Pediátrico de Coimbra, Abril 2013, pág. 4.
2 No âmbito do disposto no decreto-lei 3/2008, de 7 de janeiro, o Ministério da Educação e Ciência
criou uma rede de escolas de referência para a inclusão de alunos e alunas cegos/as e com baixa visão, com vista a concentrar meios humanos e materiais que possam oferecer uma resposta educativa de qualidade a estes alunos. Ver, Escolas de Referência para a Educação de Alunos Cegos e com Baixa Visão em: http://www.dgidc.min-edu.pt/educacaoespecial/index.php?s=directorio&pid=55
João Paulo Amaral
(professor de educação especial e coordenador da UM – Unidade Especializada de Apoio à
Multideficiência e Surdocegueira Congénita)

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