Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

25 abril 2015

Encontro com ... Adilo Costa

Como vivi o 25 de abril - Testemunho na primeira pessoa

                


Foi no passado dia 23 de abril que recebemos Adilo Costa na nossa biblioteca. As turmas dos 10º, 11º e 12ºanos foram, ao mesmo tempo, os seus anfitriões e o seu público. A dinamização do evento esteve a cargo da professora Fátima Serra e dos seus alunos, em colaboração com a biblioteca. Foi muito gratificante ver como estes jovens, atentos e entusiasmados, seguiam os testemunhos que Adilo Costa ia partilhando.
  
Partilhamos algumas notas biográficas sobre Adilo Costa:

Oriundo de famílias algarvias, de Faro e Aljezur. Adilo Costa nasceu a 10 de agosto de 1953 no Sabugal, distrito da Guarda. Nos primeiros anos de vida residiu em Peso da Régua, mas conviveu desde cedo com os avós e tios maternos que viviam em Setúbal.
Associado do Círculo Cultural de Setúbal, coletividade onde se contestava o fascismo desde 1971, foi contemporâneo de José Afonso. Trabalhou como fiel de armazém, e foi nessa qualidade que assinou o primeiro documento contra o regime fascista de Marcello Caetano.
Em 1973 foi designado, em plenário de jovens realizado perto de Palmela, pelo clandestino MJT - Movimento Juventude Trabalhadora, como candidato da CDE (Comissão Democrática Eleitoral) pelo distrito de Setúbal à "farsa eleitoral" de outubro de 1973, sendo com 20 anos o mais novo candidato do país.
Preso pela PIDE/DGS em 8 de fevereiro de 1974, como retaliação pela sua intervenção nas "eleições", foi libertado de Caxias em 12 de abril de 1974, poucos dias antes do 25 de abril.
Desde as primeiras Eleições Autárquicas (1976) representou a FEPU, a APU e a CDU, quer na Assembleia Municipal de Setúbal quer na Assembleia Municipal de Palmela.
Foi dirigente sindical, associativo, e foi na qualidade de trabalhador-estudante que se licenciou na Faculdade de Direito de Lisboa, tendo iniciado a sua carreira como advogado em 1990.
Militante do Partido Comunista Português é, desde dezembro de 2002, vereador na Câmara Municipal de Palmela.
Hoje, com 61 anos de idade, casado, pai de dois filhos e avô de dois netos, continua a acreditar que só a luta torna possível construir um país melhor para todos.

Agradecemos, uma vez mais, a presença, a simpatia e o testemunho pessoal de Adilo Costa. Agradecemos também as suas simpáticas palavras -"(...)tive o privilégio de fazer um singelo "testemunho na primeira pessoa" sobre a luta antifascista e o 25 de abril, com alunos da Escola Secundária Lima de Freitas, em Setúbal. Gostei muito da escola, e sobretudo da rapaziada fixe. Assim, abril tem futuro!"
Aqui ficam alguns registos da sua presença na nossa escola. 


E a nossa singela homenagem a abril, mês da Liberdade.

Explicação do País de Abril

País de Abril é o sítio do poema.
Não fica nos terraços da saudade
não fica nas longas terras. Fica exactamente aqui
tão perto que parece longe.


Tem pinheiros e mar tem rios
tem muita gente e muita solidão
dias de festa que são dias tristes às avessas
é rua e sonho é dolorosa intimidade.

Não procurem nos livros que não vem nos livros
País de Abril fica no ventre das manhãs
fica na mágoa de o sabermos tão presente
que nos torna doentes sua ausência.



País de Abril é muito mais que pura geografia
é muito mais que estradas pontes monumentos
viaja-se por dentro e tem caminhos veias
- os carris infinitos dos comboios da vida.

País de Abril é uma saudade de vindima
é terra e sonho e melodia de ser terra e sonho
território de fruta no pomar das veias
onde operários erguem as cidades do poema.

Não procurem na História que não vem na História.
País de Abril fica no sol interior das uvas
fica à distância de um só gesto os ventos dizem
que basta apenas estender a mão.

País de Abril tem gente que não sabe ler
os avisos secretos do poema.
Por isso é que o poema aprende a voz dos ventos
para falar aos homens do País de Abril.

Mais aprende que o mundo é do tamanho
que os homens queiram que o mundo tenha:
o tamanho que os ventos dão aos homens
quando sopram à noite no País de Abril. 

                                                                                   Manuel Alegre
                                                                                            Praça da Canção

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