22 janeiro 2016

“Um livro ilustrado é um livro com brinde”


A sétima edição da Ilustrarte – Bienal Internacional de Ilustração para a Infância é inaugurada nesta quinta-feira no Museu da Eletricidade, em Lisboa. Teresa Lima foi uma das selecionadas entre 1700 ilustradores de 72 países.

A ilustradora Teresa Lima foi mais uma vez selecionada para a exposição que de dois em dois anos mostra o que de melhor se faz pelo mundo na área da ilustração para a infância, a Ilustrarte. Desta vez, concorreu com originais do livro ainda não editado O Contador de Estrelas, com texto de de Arturo Abad (OQO Editora).

Para a também professora de Educação Visual, “um livro ilustrado é um livro com brinde”, porque entende que “a imagem não está lá para fazer compreender o texto, é uma mais-valia para aquele texto”. Acredita que “mostrar para lá do que está escrito é uma forma inteligente de ilustrar”. É o que costuma fazer.

Catarina Sobral, Joana Estrela Barbosa e Daniel Moreira também terão trabalhos expostos no Museu da Eletricidade até 17 de Abril, numa mostra que o curador Eduardo Filipe disse ao PÚBLICO ser “bem representativa, na sua variedade de temas e estilos, do que é a ilustração contemporânea internacional para a infância (e para todos)”.

Eduardo Filipe, que partilha a curadoria com Ju Godinho, realça a exposição monográfica sobre a obra de Serge Bloch, “um dos grandes autores da ilustração e design internacionais”. O artista, autor de Eu Espero…, com Davide Cali (Bruaá), fez parte do júri e estará presente na inauguração. O curador destaca ainda um outro núcleo a visitar no Museu da Eletricidade, “o espaço dedicado aos livros de Alice Vieira, uma das mais importantes escritoras portuguesas para a infância e juventude”.

Esta sétima edição da Ilustrarte foi ganha pela ilustradora espanhola Violeta Lópiz, com um trabalho inspirado nas ruas de Lisboa para o livro Amigos do Peito, com texto do brasileiro Cláudio Tebas e editado em Portugal pela Bruaá.

A ilustradora vive em Berlim e fez este trabalho durante uma residência artística em Lisboa. Violeta Lópiz contou à Lusa: “Pensava que iria fazer facilmente o livro, porque é um poema muito simples, mas enganei-me, foi muito mais interessante.” E acrescentou, sobre a cidade, que acabaria por reproduzir no livro: “Há outros estímulos, outra luz, outra língua.” Como banda sonora em fundo durante o seu trabalho, realizado com canetas de feltro, foi escutando música de José Afonso, disse à Lusa.

As menções especiais foram para a ilustradora belga Ingrid Godon, o espanhol Jesus Cisneros e a italiana Claudia Palmarucci. Todos estarão presentes na inauguração, a convite da Ilustrarte e da Fundação EDP.

Nesta edição, os arquitetos Pedro Cabrito e Isabel Diniz optaram por colocar os originais das ilustrações em 50 pequenas estruturas em forma de casa, “aquela forma que desenhamos na infância, um quadrado, uma janela, um telhado e uma chaminé”, descreve Eduardo Filipe. Os trabalhos ficarão no “chão da casa”, que é o tampo de uma mesa.

O aspeto geral da exposição será assim o de um bairro. Coincidência feliz com a obra vencedora, já que tudo foi concebido antes de se saber o resultado do concurso.

Para Teresa Lima, que concorreu sempre a todas as edições, a Ilustrarte “é muito importante porque, além de ser uma forma de contactar com outros ilustradores, é uma forma de divulgar o nosso trabalho a nível nacional e internacional”. Realça ainda que ver um original (quando não é ilustração digital) é muito diferente de ver uma reprodução, “vê-se como é que se faz, todas as camadas”. E conclui: “A Ilustrarte é a nossa Feira de Bolonha aqui em Portugal. É uma honra, no meio de tanta gente, ser selecionada. Fico sempre feliz.”

Para a vencedora, Viloleta Lópiz, “é muito bom, porque passamos a vida fechados em casa a desenhar, sem saber muito bem se [os leitores] vão gostar ou não”.


Nesta edição, a visita à exposição custa 2 euros, revertendo a receita para a campanha de assistência humanitária Unicef – Crianças Sírias.

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